Crónica da Visita à exposição de Nadir Afonso “Território de Absoluta Liberdade” na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, no dia 20 de Fevereiro de 2026.A turma da aula "Viver a Arte" da Unisseixal, Universidade Sénior, no dia 20 de fevereiro, foi fazer uma visita à Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, à exposição "Território de Absoluta Liberdade" que revisita o percurso de Nadir Afonso.
A visita guiada foi feita pela Curadora Alexandra Silvano e, ainda, tivemos o privilégio de termos a companhia da sua esposa, Laura Afonso, que nos foi contando alguns pormenores da vida de Nadir Afonso.
A exposição apresenta 39 pinturas sobre tela, incluindo sete de grandes dimensões realizadas nos últimos anos de vida de Nadir Afonso, e 55 desenhos, estudos e guaches, propondo-nos “uma leitura cronológica e sensorial do pensamento plástico” do artista, marcada pelo rigor formal e pela coerência estética, como refere a organização. Segundo texto da curadoria, esta exposição, é mais do que uma retrospetiva, leva-nos a entrar “num território de liberdade absoluta, onde a arte se afirma como pensamento, emoção e construção rigorosa do visível”.
Nadir Afonso, nasceu em Chaves a 4 de Dezembro de 1920 e faleceu em Cascais em 11 de Dezembro de 2013.
Diplomou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
Em 1946, estudou pintura na École des Beaux-Arts de Paris, e obteve por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês.
Até 1948 e novamente em 1951 foi colaborador do arquiteto Le Corbusier; nomeadamente no projeto da cidade radiosa de Marselha, e utilizou algum tempo o atelier de Fernand Léger.
De 1952 a 1954, trabalhou no Brasil com o arquiteto Óscar Niemeyer.
Nesse ano, regressou a Paris, retomou contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina «Espacillimité».
Na vanguarda da arte mundial expos em 1958 no Salon des Réalités Nouvelles «espacillimités» animado de movimento.
Em 1965, Nadir Afonso abandonou definitivamente a arquitetura. Consciente da sua inadaptação social, refugiou-se pouco a pouco num grande isolamento e acentuou o rumo da sua vida exclusivamente dedicada à criação da sua obra.
Nadir Afonso foi uma personalidade multidisciplinar, pintor, ensaísta e arquiteto. A sua obra é, em grande parte, mal conhecida, pouco divulgada e deficientemente estudada (diz Laura Afonso).
As obras de arte de Nadir Afonso incluem pinturas abstratas, arquitetura e trabalhos de arte cinética, frequentemente baseados na sua teoria de que a arte obedece a uma matemática intuitiva.
Algumas das suas obras mais conhecidas são a série "Cidades", que retrata locais reais e imaginários. São obras com a utilização de guache e serigrafia. As cidades de Nadir Afonso são constituídas por arquiteturas de linhas e formas que no conjunto se modelam em volumes num equilíbrio estável; os fundos brancos imperam, as linhas que compõem os edifícios surgem numa simbiose de forma e cor. Destacam-se quer pela singularidade quer pela vanguarda, assim como pela inovação na forma: «telas para o futuro, porque talvez melhor compreendidas nos tempos vindouros que no presente.»
O artista desenvolveu diferentes períodos estilísticos ao longo da sua carreira, como o surrealismo e o realismo geométrico.
A sua obra representa distanciamento e incompatibilidade estética, quase uma resistência indireta, não de intencionalidade política no discurso, mas profundamente anti instrumental, numa época em que o regime controlava o sentido e utilidade da arte e demonstrava desconfiança em relação às linguagens artísticas modernas e abstratas, que considerava herméticas, estrangeiras e inadequadas aos seus objetivos de propaganda e formação ideológica.
O seu reconhecimento aconteceu sobretudo fora de Portugal, nomeadamente, em Paris e no Brasil.
A obra do artista representa uma afirmação do modernismo e da autonomia da arte num período em que o regime procurava moldar a produção cultural aos seus desígnios ideológicos.
Nadir pintou, refletiu e escreveu…
Um homem que tinha tanto talento para as artes plásticas como para a palavra e que viveu sempre fiel ao dever de não desperdiçar um segundo: na arte, no pensamento, no amor, na mudança necessária, na reclusão que preferia.
«a obra escrita de Nadir Afonso é caso único na bibliografia portuguesa.» Diz Laura Afonso. Com a Cidade como tema principal, a exposição percorre os principais períodos da carreira de Nadir Afonso, revelando uma obra marcada pelo rigor geométrico, pela reflexão estética e pela constante procura de ordem e equilíbrio.
Embora já tivéssemos feito uma abordagem à obra do Nadir Afonso, ver ali na Sociedade Nacional de Belas Artes, a exposição das suas obras, dá-nos uma perspetiva completamente diferente, um território onde a forma é ideia e a ideia é ritmo. Foi uma tarde repleta de conhecimento de um dos mais importantes criadores portugueses.

Albina Moura Rodrigues

Visita da turma Viver a Arte à “Exposição de Nadir Afonso”