Património Cultural, Sustentabilidade e Inovação
No passado dia 4 de novembro de 2026, realizou-se, no auditório da Unisseixal, a primeira Quarta-feira Cultural deste ano letivo (2026/2027), dedicada ao tema «Sustentabilidade e Património». A sessão contou com a presença do palestrante, Dr. Miguel Feio, vereador da Câmara Municipal do Seixal.
A sessão foi aberta
pela reitora da Unisseixal, professora Mariana Mareco, que deu as boas-vindas a todos os presentes e ao orador, a quem passou, de seguida, a palavra.
O Dr. Miguel Feio começou por nos falar do Seixal, território de aprendizagem – Património Cultural, Sustentabilidade e Inovação.
O concelho do Seixal é um território de grande riqueza histórica, cultural, ambiental e social, onde o passado e o futuro se cruzam, criando oportunidades para aprender, preservar e inovar.
O património do Seixal constitui uma herança coletiva que importa conhecer, valorizar e preservar. Desde os antigos núcleos urbanos às embarcações tradicionais, passando pelos moinhos de maré, pelos espaços industriais e pelos testemunhos da vida das comunidades, cada elemento conta uma parte da história do território.
Lugares como o Ecomuseu Municipal do Seixal, a Mundet, a Quinta da Fidalga, a Quinta da Trindade, o Moinho de Maré de Corroios, as igrejas de Arrentela e do Seixal, a Olaria Romana da Quinta do Rouxinol e a Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, entre outros, representam importantes recursos para compreender a evolução histórica, económica e social do concelho.
O Dr. Miguel Feio falou-nos também do Parque Metropolitano da Biodiversidade, um espaço natural de grande relevância ambiental e de recreio no concelho do Seixal, localizado na Verdizela, em Corroios.
Este parque insere-se no Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira, onde coexistem habitats naturais ameaçados de extinção, nomeadamente charcos temporários mediterrânicos e charnecas húmidas atlânticas temperadas. Estes habitats estão identificados e podem ser conhecidos através de percursos temáticos que permitem aos visitantes aprofundar o conhecimento da biodiversidade local.
A Casa da Biodiversidade é um espaço de interpretação e educação ambiental situado no interior do parque. Dispõe de uma área multiusos e de um pequeno charco que permite a observação de anfíbios no seu habitat natural, promovendo ações educativas sem perturbar a fauna selvagem local.
O orador salientou
ainda a ligação aos "Princípios de Cork (Clima, Saúde e Equidade)", reforçando a ideia de que o desenvolvimento sustentável se constrói com as pessoas, através da valorização dos recursos locais, da preservação ambiental, da inovação e da participação das comunidades.
Embora a Declaração de Cork tenha sido concebida para os territórios rurais, os seus princípios de valorização do património, do conhecimento, da inovação e da participação podem ser adaptados à realidade do Seixal.
Assim, o Seixal deve ser entendido como um território onde o património, a sustentabilidade, a educação e a inovação se complementam. Preservar a memória do passado, cuidar do ambiente no presente e preparar as gerações futuras são responsabilidades partilhadas por todos.
O vereador, Dr. Miguel Feio, deixou ainda um desafio à Unisseixal: a musealização do "lagar de azeite" que se encontra no edifício da nossa Universidade, em colaboração com a Câmara Municipal d
o Seixal.
Em suma, a Unisseixal pode ajudar a transformar o Seixal numa verdadeira sala de aula aberta, onde as ruas, os edifícios, os museus, a Baía, as paisagens naturais e as memórias das pessoas se tornam fontes permanentes de aprendizagem.
Conhecer o património é aprender a respeitá-lo; aprender a respeitá-lo é assumir a responsabilidade de o preservar; e preservá-lo é garantir que continuará a fazer parte da identidade e do futuro do concelho.
Porque um território que conhece, valoriza e partilha o seu património é um território que aprende, evolui e constrói um futuro mais sustentável.
BM/AM


Sem comentários ainda