António Lobo Antunes (1942-2026)
Autor: António Lobo Antunes
Nasceu em Lisboa 1 de Setembro de 1942
Faleceu em Lisboa no dia 3 de Março de 2026
Leitura e interpretação de um texto do Livro “Sátira aos HOMENS quando estão com gripe”
Sátira aos homens que estão com gripe
Escritor e psiquiatra português, proveniente de uma família da alta burguesia, entre 1971 e 1973 viveu em Angola onde participou como tenente médico do Exército, na Guerra do Ultramar. Posteriormente exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, até 1985.
Em 1979 publicou os primeiros livros, que são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; transformaram-no imediatamente num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional.
A separação da mulher terá passado a constituir definitivamente o nexo central da sua obra, numa clara demonstração da incapacidade de resolver este trauma.
Em 2005 foi distinguido com um dos mais importantes prémios literários do mundo: O Prémio Jerusalém. Em 2007 foi distinguido com o prémio Camões, o mais importante prémio literário de língua portuguesa. Em 2008 foram-lhe atribuídos, pelo Ministério da Cultura Francês, as insígnias de Comendador da Ordem das Artes e das Letras Franceses.
Leitura e comentários sobre o poema:
- Sátira aos HOMENS quando estão com gripe.
Varias interpretações diferentes mas opiniões convergentes.
AF
18/03/26
Mário Zambujal (1936-2026)
Autor: Mário Zambujal
Nasceu em Moura (Amareleja) no dia 5 de Março de 1936
Faleceu em Lisboa no dia 12 de Março de 2026.
Leitura e interpretação de um texto do Livro “Primeiro as Senhoras”
Excerto do livro:
Capítulo: Quinta-feira 5 - Manhã
O DECLARANTE E O INSPETOR
Aqui me têm, Senhor Inspetor. Vivo inteiro e ansioso por colaborar. Dê-me tempo. Por agora é como se um tufão me tivesse varrido a cabeça. Indícios, pormenores, eventuais pistas, não sei onde param. Depreendo tratar-se de uma reação do cérebro às recordações penosas, já aconteceu com a minha irmã Rute: foi casada doze anos com o Dálio ceramista e não se lembra nem da cara dele.
Comigo, a nuvem esvai-se em dias, talvez horas. Tudo quanto a memória captou retomará os seus lugares. Conte com um depoimento decisivo para filar os energúmenos.
Para já, e objetivamente, o que posso descrever é o seguinte: Pouco passava da meia-noite, cinco, sete, vá lá, dez minutos. Saí de um velório animadíssimo e caminhei para o carro estacionado numa rua próxima.
Noite modorrenta, ar quente e parado. Despi o casaco afrouxei o nó da gravata. Vi um parzinho namorando a quatro mãos. Ainda me ocorreu ligar para a Renata Emília a sugerir-lhe que aparecesse no Bar Afunda. Desisti. Ela andava na fase do deitar cedo. 
E nessa altura, sou franco, quem ocupava os meus pensamentos era a Marilinha Misse.
Estala a primeira contrariedade: quis acender um cigarro e nem fósforos nem isqueiro. Num primeiro impulso avancei para o rapaz de manga á cava enganchado na morena que tinha uma sandália calçada e outra descalça. Recuei. Nunca me permitiria o papel de empata.
O chavalo ainda virou a cabeça, sobressaltado: “Queria alguma coisa?”
Disse-lhe o que ouvia do meu pai quando era garoto e nos juntávamos à mesa: “Come e cala-te.”
Aproximou-se um transeunte, alto, esgalgado. Obliquei para lhe sair ao caminho. Ele olha-me de soslaio e começa a dar passinhos para o lado.
Insisto em acercar-me do homem e o homem esganiça-se aos gritos: “Policia! Polícia!”.
Era noite de azar: apareceram dois polícias . Optei pelas gargalhadas, o riso seria convincente prova de inocência. Quem ri assim não pode ser larápio apanhado em flagrante.
Agitei o maço de cigarros em frente do cagarola: “Lume! Só queria lume!” E para provar de vez a boa-fé decidi-me pelo espetáculo: virei os forros dos bolsos todos, casaco e calças. Mas era mesmo noite de enguiço: entre os meus pertences espalhados na calçada, saltavam à vista um isqueiro amarelo e carteira de fósforos com anúncio do bar.
Valeu-me a feliz coincidência. De tempos a tempos sou protegido por felizes coincidências. Quando tinha dezassete anos e o meu pai me cortou as saídas noturnas, a feliz coincidência foi que da janela do meu quarto à sacada da Almira do Dancing era um pulinho.
Naquela noite, deu-se o caso de surgir um grupo de pândegos que vinham igualmente do velório. Entre eles uma alta patente militar. Afiançaram que sou fumador mas pessoa de bem e o caguinchas acabou a cravar-me um cigarro.
…//...
Risotas e várias intervenções dos presentes na aula, comparação com a linguagem atual da juventude. Várias opiniões sobre o texto e pedido de elaboração da continuidade do mesmo pelos alunos.
AF
25/03/26
Escritor Lobo Antunes
Escritor Mário Zambujal
Escritores Lobo Antunes e Mário Zambujal
Dois escritores e a coincidência de datas - 5 de Março ficam na memória de todos os seus leitores.


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