“Ecos de Camilo - Passos na Calçada do Quotidiano”
No dia 27 de m
aio, pelas 16h15, a Unisseixal acolheu mais uma Quarta-Feira Cultural, desta vez com o auditório completamente lotado. O evento, subordinado ao tema “Ecos de Camilo - Passos na Calçada do Quotidiano”, foi orientado pela professora Luísa Ramos, acompanhada pelos alunos da turma “Ateliê de Escrita Criativa”.
A sessão foi aberta pela reitora, professora Mariana Mareco, contando também com a presença dos membros da Direção da Unisseixal: professoras Amélia Costa, Fátima Salvado e Filomena Rocha.
A professora Luísa Ramos apresentou um breve enquadramento histórico desta inspiradora Quarta-Feira Cultural, centrada na obra Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, um dos grandes romances do Romantismo português, que retrata o amor impossível entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque, jovens pertencentes a famílias rivais.
A reflexão proposta procurou estabelecer uma ponte entre o romance de 1862 e o século XXI, mostrando como o drama amoroso permanece atual, apesar das profundas mudanças sociais, emocionais e tecnológicas. O amor continua vulnerável às imposições do mundo, mudam apenas os meios e os códigos.
No palco, duas mesas q
uadradas, divididas ao meio por uma placa de vidro transparente, simbolizavam não apenas o conflito entre duas famílias, mas também duas formas distintas de poder:
Domingos Botelho - o poder moral e o confronto direto;
Tadeu Albuquerque - o poder estratégico e o controlo invisível.
Ambos impedem o amor, acreditam estar certos e tornam-se agentes da tragédia, sem plena consciência disso.
A outra mesa simbolizava os conflitos e as barreiras emocionais, sociais e morais que impedem a aproximação entre as personagens Joana e Bernardo, numa recriação contemporânea inspirada em Amor de Perdição.
A encenação mostrou que não foi o tempo que separou os protagonistas, mas sim a própria organização do mundo.
Anos depois, Joana aprendera a viver com estabilidade e discrição, escondendo cuidadosamente aquilo que nunca deixara de sentir. Não falava de Bernardo, não por esquecimento, mas porque certos amores ultrapassam as palavras.
Também Bernardo seguiu a sua vida, mas nenhuma outra história apagou a verdade que encontrara em Joana. Nunca a procurou, consciente de que alguns reencontros apenas reabrem feridas.
Os pais envelheceram sem jamais reconhecer plenamente a culpa pelas escolhas que fizeram. Acreditaram, até ao fim, que protegiam os filhos, sem perceber que talvez tivessem destruído uma verdade maior.
Joana e Bernardo cruzaram-se apenas uma vez, ao longe. Bastou-lhes esse silêncio para reconhecer que o amor existira realmente.
Esta história não termina com a morte nem com o reencontro, mas com algo mais subtil e doloroso: a consciência de que o amor foi verdadeiro e, ainda assim, insuficiente para vencer o mundo.
Talvez essa seja a perdição moderna, sobreviver lucidamente ao que não foi possível viver e, mesmo na derrota, amar sem concessões continua a ser uma rara forma de vitória.
Parabéns à Unisseixal, à professora Luísa Ramos e a todos os envolvidos nesta Quarta-Feira Cultural pela magnífica tarde que proporcionaram.
BM/AM


Foi muito bom ter participado neste evento. Não foi uma peça de teatro, mas uma apresentação, com uma nova roupagem, do romance Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. Houve críticas, houve quem gostasse, houve quem não gostasse. Mas faz parte. O nosso mérito é que “fizemos acontecer” e há quem só saiba criticar e não acrescente nada à sociedade.
Foi muito bom ter participado neste evento. Não foi uma peça de teatro, mas uma apresentação, com uma nova roupagem, do romance Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. Houve críticas, houve quem gostasse, houve quem não gostasse. Mas faz parte. O nosso mérito é que “fizemos acontecer” e há quem só saiba criticar e não acrescente nada à sociedade. Obrigado à Bárbara por este excelente trabalho sobre o nosso evento.