Universidade Sénior do Seixal

Aldeia Dornes e Albufeira Castelo Bode

Visita de Estudo da Turma de Património Histórico e Natural

A visita de estudo que a turma de Património Histórico e Natural, realizada no passado dia 2 de Abril, teve como destino a aldeia de Dornes e a albufeira da barragem de Castelo de Bode.

Partimos da Amora às 7 horas e chegámos a Dornes cerca das 10 horas. Nos últimos quilómetros de estrada que nos levou a esta pequena aldeia, podemos observar as sucessivas estações que compõem a Via Sacra (cruzes ornamentadas com arranjos de flores e azulejos alusivos à paixão de Cristo), que terminam no Santuário de Nossa Senhora do Pranto.

A Vila, aldeia, de Dornes, uma das mais belas e preservadas aldeias de Portugal, está situada numa pequena península à beira do rio Zêzere (o segundo maior rio nascido em Portugal), no Concelho de Ferreira do Zêzere. É uma terra muito antiga, anterior à fundação da nossa nacionalidade. Os romanos estiveram nesta região.

Numa pequena caminhada percorremos as ruas da aldeia, desde o posto de turismo até ao largo onde se encontram os monumentos históricos mais importantes, no cimo de uma íngreme calçada empedrada: o Santuário de Nossa Senhora do Pranto e a Torre Pentagonal Templária. Deste lugar podemos desfrutar de uma magnífica paisagem proporcionada pela serra, pelas águas do Zêzere e do lago formado pela barragem de Castelo de Bode.

 Um pouco de história:

O nosso primeiro rei, Afonso Henriques, doou estas terras aos Templários, cavaleiros da Ordem do Templo. Após a extinção desta Ordem, em 1319, foi fundada uma nova ordem de cavaleiros, a Ordem de Cristo, no reinado de D. Dinis, e Dornes ficou a ser uma das seis comendas pertencentes ao Termo de Tomar.

Em 1513, D. Manuel I deu-lhe foral passando Dornes a Vila e a sede de Concelho. Com o passar dos tempos Dornes foi perdendo poder e, em 1836, foi extinta a Vila e a sede de Concelho. Na reforma administrativa de 2013, também foi extinta a sede de freguesia.

Igreja de Nossa Senhora do Pranto

A fundação da igreja (em 1285) é atribuída a rainha Santa Isabel. Em 1453 foi reconstruída por Gonçalo de Sousa, comendador da Ordem de Cristo. No decorrer dos tempos sofreu obras de reparação e importantes transformações. Na igreja, que visitámos, destacam-se as paredes revestidas com azulejos do séc. XVII, o Órgão de Tubos do séc. XVIII, restaurado e em funcionamento, as imagens de pedra da Nossa Senhora do Pranto e de Santa Catarina, um púlpito de 1544 e diversos quadros a óleo.

Torre Pentagonal Templária (só podemos ver o exterior)

É uma obra do séc. XII construída por Gualdim Pais, por ordem de D. Afonso Henriques, sobre a base de uma antiga torre romana. A sua forma pentagonal (cinco faces)) torna esta torre um exemplar raro (senão único) em Portugal. Fazia parte de um sistema defensivo da linha do Tejo contra os mouros. Ao longo dos tempos esta torre serviu de ponto estratégico de observação, de armazém onde se guardavam os tributos entregues ao comendador e, mais tarde, de torre sineira.

A Torre e a Igreja estão classificadas como Imóveis de Interesse Público.

Dornes é uma das ” 7 Maravilhas de Portugal” na categoria de aldeia ribeirinha.

Terminada esta rápida visita, rumámos ao cais de embarque e desembarque da Castanheira.

Cruzeiro pela albufeira da barragem de Castelo de Bode.

Eram 12 horas quando iniciámos a viagem a bordo do Iate de turismo S. Cristóvão, a segunda parte do programa planeado para este dia. O tempo estava muito agradável.

Navegámos durante 4 horas pelas águas calmas da albufeira de Castelo de Bode, a segunda maior bacia hidrográfica do país.

A barragem de Castelo de Bode é uma das mais importantes barragens portuguesas e faz parte do conjunto de barragens do rio Zêzere, juntamente com a barragem de Cabril e a barragem de Bouçã. Foi construída entre 1945 e 1951, produz energia elétrica, fornece água (nomeadamente a Lisboa) e permite a prática de desportos náuticos.

O almoço servido a bordo, que creio ter sido do agrado de todos os participantes, decorreu com animação e muita confraternização. Depois … foi descontrair, desfrutar das calmas águas do lago, admirar a paisagem, com a ilha do Lombo a sobressair e tirar algumas fotos. Foi um passeio muito bom.

Às 16 horas desembarcámos e, pouco depois, iniciámos a viagem de regresso à Amora. Chegámos por volta das 19 horas.

Uma vez mais queremos agradecer ao Professor Manuel Lima pela boa organização e pelo sucesso deste evento, que decorreu de forma excelente.

 Até à próxima, amigos.

Carlos Neves

1 Comentário

  1. M. Custódia Galego M. Custódia Galego
    Tuesday, 9 de April de 2019    

    Elucidativa descrição do que foi esta visita de estudo e dos locais visitados, bem como do respetivo enquadramento histórico.
    Um bem haja ao professor Lima e ao delegado de turma, o colega Carlos Neves.

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