Universidade Sénior do Seixal

Visita à Aldeia Piscatória de Escaroupim

Escaroupim é uma típica aldeia piscatória, situada a 7 kms de Salvaterra de Magos, formada nos finais dos anos 30 do século passado pelos avieiros. Foi esta aldeia, o objetivo principal da Visita de Estudo que a turma de Património Histórico e Natural, do Prof. Manuel Lima, realizou no passado dia 23 de Março.

Os avieiros (também apelidados de nómadas do Tejo) eram pescadores oriundos da Praia da Vieira de Leiria, no Concelho da Marinha Grande, que nos finais do século XIX, princípios do século XX, dividiam a atividade piscatória entre o Verão, em Vieira de Leiria, e o Inverno no Tejo. Vinham, em grande número, com as suas famílias, pescar junto às vilas ribeirinhas situadas ao longo do rio Tejo. Nesse período, tinham como único abrigo a sua bateira, embarcação de pesca que era ao mesmo tempo a sua casa, o seu lar, onde nasciam e criavam os seus filhos. No Verão regressavam a Vieira e à pesca no mar.

Até que deixaram de regressar a Vieira, e foram ficando, ligados definitivamente ao Tejo que lhes proporcionava o seu ganha-pão. Fixaram-se em pequenos povoados, onde construíram as suas típicas casas de madeira, assentes em pilares por se encontrarem próximas do leito de cheias do Tejo (construção “palafítica”). Com o passar do tempo muitas destas aldeias foram desaparecendo, restando hoje muito poucas.

Durante o período da manhã, tivemos ainda a oportunidade de:

- Efetuar um pequeno passeio de barco no Tejo, apesar do vento e da ameaça de chuva, a partir de Escaroupim, passando pelos mouchões dos amores (onde os noivos iam passar a noite de núpcias), dos cavalos (onde pastam cavalos lusitanos), das garças (com centenas de garças, íbis-pretas e outras espécies de aves) e próximo da aldeia da Palhota, na outra margem do Tejo.

- Visitar a Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, que ocupa uma parte daquele que foi o Paço Real de Salvaterra de Magos, destruído por um incêndio em 1824, mandado construir pelo Infante D. Luís, irmão de D. João III, por volta de 1542. A falcoaria funciona como museu vivo desde 2009, depois de recuperado o edifício que estava em ruínas. Tivemos uma visita guiada, visionámos um vídeo sobre aves de presa, tivemos uma explicação detalhada sobre as aves ali criadas e treinadas e assistimos à demonstração real do voo de um falcão em busca de caça.

Antes do almoço, no Restaurante da Quinta do Parque Real, tivemos uma prova de vinhos da região, uma cortesia da Promartur.

Durante o período da tarde, visitámos:

- O Museu do Rio, localizado no Edifício do Cais da Vala, que tem como objetivo “a salvaguarda, valorização e divulgação do Património Natural, dos vestígios arqueológicos e históricos, bem como dos testemunhos das comunidades ribeirinhas”-

- O Museu Escaroupim e o Rio, museu do rio e da cultura avieira, que está instalado na antiga escola primária de Escaroupim, que foi reabilitada para este efeito. Este museu foi inaugurado em 25 de Fevereiro de 2017 e “pretende ser um contributo à memória das várias comunidades ribeirinhas do Tejo, um lugar de afetos, de encontro e preservação de tradições e memórias”.

- A Casa típica avieira, que tem como objetivo “a recreação da habitação dos pescadores avieiros”.

No final da tarde, e no regresso à Amora, quisemos agradecer ao nosso Professor Manuel Lima pelo planeamento de mais uma visita de estudo de grande sucesso. Obrigado Professor.

Texto de Carlos Neves

Junto Slidely da Visita de Estudo  a Escaroupim                                                                                              BM

 

 

Slidely - Visita de Estudo

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